Monografia – Texto Introdutório
O que o cinema contemporâneo fala do amor? Pergunta abrangente e de difícil resposta. Dependeria do foco de quem coloca a questão. De que amor se trata? Não, não é este o caminho que se pretende trilhar neste trabalho. Não é o caso de uma pesquisa genealógica deste conceito abstrato.
O que podemos dizer sobre o cinema contemporâneo? Caso se queira chegar a uma resposta geral, é preciso que se tenha claro que a própria generalidade se contradiz à pluralidade da produção cinematográfica. Mesmo com a preocupação de se fazer um recorte, caracterizado pelo termo “contemporâneo”, ainda nos deparamos com a vastidão oceânica do objeto a estudar.
Portanto, cabe escolher um certo número de filmes que constituam um bom campo de pesquisa. Decidimos por quatro. E estes quatro não são de todo aleatórios. Foi preciso que fosse encontrado algum ponto em comum entre eles. É claro que a similaridade passa pelo fato de todos falarem de amor, porém não fica nisso. Olhando melhor, podemos circunscrever a semelhança em outro lugar.
Trata-se de obras que se desenrolam num momento muito específico do que chamamos de relacionamento amoroso. Elas se colocam a partir de separações. O que nos poderia servir para formular uma pergunta que não seria menos vasta que a inicial: O que o cinema contemporâneo fala da separação? Ou seja, não é por uma especificidade cada vez maior de nosso questionamento que chegaremos a construir um objeto de pesquisa minimamente palatável. De fato, se queremos discutir alguma coisa sobre este assunto, é necessário que nosso olhar funcione de forma menos reducionista..
“Amor à Flor da Pele”, “2046 - Os Segredos do Amor”, “Separações” e “O Passado” são visões contemporâneas acerca da separação de quem se ama. Porém não é pelas suas similitudes que desenvolveremos este trabalho. Não é para buscar um Universal que silencie suas singularidades que começaremos a viagem; caminho perigoso. Mas é a partir deste suposto Universal que iremos questionar a teoria psicanalítica, tentando descobrir no que ela pode nos ajudar a encontrar as singularidades, caminho não menos perigoso que, pelo menos, nos adverte a não sermos ludibriados pelas malícias do amor à completude.
Escrito por Rafael Morena às 20h51
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