Contingências
Um mundo ruindo. Como ter certezas? Tudo se move, nada permanece. Estranho que se tenha tido a crença na inércia. Estamos sempre caminhando.
Vidas pequenas, pequenezas burguesas. Danças, palestras, o divertido e o sério; tanto faz. O que importa é que tudo acaba.
Não venho falar de morte e sim, de mortes. Isso incomoda. O tempo passa e o que foi colado se despedaça. E depois não volta.
Beijos nunca são iguais.
Como explicar sentimentos, ou simplificando, sensações? Para quê? Podemos rodopiar em volta de um vazio, mas nunca entramos nele. Testemunham os psicóticos.
O bebê ficou para trás. A liberdade que procuramos (alguns ingênuos acham que a encontram) não retorna. Melhor assim.
Porque qualquer coisa é preferível ao nada. Inclusive o incompreensível, como este texto. Ele pode nos dar uma impressão de gravidade, de importância. Assim como o delírio.
Incômoda vocação: escrever para que não leiam. Há quem diga que esta é a realidade de todo escrito.
E é a mais pura e permanente verdade.
Escrito por Rafael Morena às 20h56
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