Crítica
“Um importante avanço na secularização da doença (ou transtorno) mental foi o aparecimento da psiquiatria como disciplina médica voltada para o tratamento de transtornos do comportamento humano. Sigmund Freud (1856-1939) teve uma enorme influência neste campo, especialmente nos Estados Unidos. A teoria da psicanálise de Freud baseava-se em duas hipóteses: (1) que muito da vida mental é inconsciente (além da percepção consciente) e (2) que as experiências passadas, particularmente as da infância, determinam como uma pessoa sentirá e responderá durante toda a vida. De acordo com Freud, o transtorno mental resulta de um conflito de elementos conscientes e inconscientes da psique. A maneira de resolver este conflito e tratar o transtorno mental seria ajudar o paciente a desvendar seu inconsciente”. (BEAR, Mark, Neurociências - Desvendando o Sistema Nervoso)
“Abramos, por exemplo, um recente e popular manual de psiquiatria, moderno pelo fato de conter um forte capítulo de psicanálise. Vemos que é em seu conjunto que se difunde o léxico psicanalítico; (...) Pois o mecanismo é fundamentalmente o mesmo, de uma psicologia das faculdades e de um dinamismo genético dos instintos, e, ainda que invocando Freud, remete ambos à diacronia de uma psicofisiologia normativa e, do mesmo modo, de um saber absoluto. Esse exercício se opera “como se algum mimetismo, subornando o esforço de convencer, houvesse conquistado os exegetas para seus próprios expedientes conciliatórios”. E o outro mimetismo não parece melhor contribuição, pois autoriza, com um vocabulário, a prática de interpretações justamente qualificadas de selvagens”. (Melman, C. – Contribuições da Psicanálise à Semiologia Psiquiátrica, in revista Tempo Freudiano, vol.3)
Escrito por Rafael Morena às 08h03
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