Sintomas
"Arrisco dizer que a redução da complexidade da condição psicótica a uma discussão humanista sobre a cultura, ao menos no plano das idéias e discursos produzidos no campo; a simplificação do tratamento da psicose a repetidas cartas de intenção sobre a singularidade, a diferença e a interdisciplinaridade; a romantização da loucura; a aposta voluntarista nas potencialidades do sujeito psicótico, que o carrega de exigências fálicas às quais ele muitas vezes não pode responder: "Trabalhe", "Seja independente", "Cuide de si"; a valorização ingênua dos ideais de autonomia e liberdade, que desconhece o caráter radicalmente heterônomo de nossa condição; a facilidade com que delírios e alucinações são reduzidos à terapêutica de um bem-estar psicossocial; a aversão à eventual necessidade de internação e tutela por parte do psicótico - ainda que produzindo um agenciamento social mais generoso, tudo isso pode servir também a nossa dificuldade de admitir a diferença radical e a dureza da condição psicótica".
Escrito por Rafael Morena às 22h32
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