Trecho de "Os Anjos da Meia-Noite" - Castro Alves
Quando a insônia, qual lívido vampiro, Como o arcanjo da guarda do Sepulcro, Vela à noite por nós, E banha-se em suor o travesseiro, E além geme nas franças do pinheiro Da brisa a longa voz ... Quando sangrenta a luz no alampadário Estala, cresce, expira, após ressurge, Como uma alma a penar; E canta aos quizos rubros da loucura A febre - a meretriz da sepultura A rir e a soluçar ... Quando tudo vacila e se evapora, Muda e se anima, vive e se transforma. Cambaleia e se esvai... E da sala na mágica penumbra Um mundo em trevas rápido se obumbra... E outro das trevas sai...
Escrito por Rafael Morena às 23h11
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