Evolução Tecnológica
As Internets estão ligadas. Os Macromedias carregam e os olhos piscam em ardências os firewalls habilitados. O celular toca e as mãos correm em velocidade banda larga para atendê-lo. Não é chamada, apenas mensagem.
“So pra dar um oi e mandar bjs. :)”
Mora num prédio gradeado de esquina, a alguns quarteirões de distância. Poucos metros de cabo. Já não a vejo a três dias. Fez um logoff estratégico, tendo em vista a maximização de meu interesse por ela. Quer que eu vá até lá. Quer que eu aperte o botão verde de meu Motorola e faça pulsar a linha que nos separa, de coração a coração. Não percorro tais caminhos. Vai acabar fazendo um download até aqui, porque não é boba. Enquanto isso, me atualizo.
Bato um Chat com amigos e envio youtubes aos tubos para que eles riam. Tudo muito animado por rsrsrsrsrsrs. Orkuto em busca de segredos alheios; ainda é cedo para dormir. Ela me espera em casa, talvez um upload rápido até a praia, troca rápida de alguns files num banquinho mal iluminado qualquer, mas prefiro fuçar seus scraps e procurar indícios de algum trojan interessado na mulher alheia. Já lhe disse que deve colocar “namorando” no perfil, mas gosta de me provocar spams com sua teimosia. Chegamos ao ponto de mensagens de celular, a coisa está séria. Não é mais relacionamento aberto. Vai entender as mulheres.
Tenho muitos fãs e amigos. Preciso apenas me logar para ver. Conecto a buffer e assisto mídias em meu player. Mídias de bandas famosas, inclusive aquela que veio a minha cidade na semana passada. Não sei porque não fui ao show. Algum arquivo corrompido na cabeça. Será que ela realmente quer que eu vá até lá? É noite de domingo, amanhã é dia de aula. Televisiono a situação. Melhor não. A pior coisa é fazê-las notar que estamos sob seu jugo. Não quero dá-la um demo de minhas fragilidades. Outro dia me disse que tinha sonhado comigo. Dei uma skype e mudei de assunto. É definitivo: não dou testimonials de meus sentimentos. Eles não são sharewares.
Tiro uma photoshop com a webcam, bem alegrinha. Faço careta e dou tchauzinho. Retoco as imperfeições. Anexo a um email com os dizeres: “Amanhã nos vemos. Bjinhos, bonitinha”. Aperto send e lá vai. Minhas pernas não cansam com esta viagem. É hora de dormir. Deixo o pc descansar e me deito na cama.
O celular pisca na escuridão do meu room e vibra longe. Deve ser ela. Continuo deitado. Por hoje é só, “Amanhã nos vemos”. Sinto megabytes de amor e, sorrindo, caio em modo sleep, tranqüilo. O telefone desiste e silencia. “Bjinhos, bonitinha”. E desconecto.
Escrito por Rafael Morena às 10h59
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