O Avesso (ou como transformar sentimentos em palavras e não o contrário)
Tudo. Montar uma frase que englobe todas suas tristezas, alegrias, decepções, erros, mesmo aqueles inconscientes.
Impossível. Condensando e dando um ponto final, fica sempre algo de não dito, que escapa.
Talvez. Versos, rimados ou não, com sentido?
As palavras podem vir no início, no meio e até mesmo no fim, nada fica.
Portanto, para que se incomodar? Alguém se importa?
Se não encontrar o tal sentido, mesmo que botando o texto ao contrário, ou lendo através de um espelho, ao avesso, alguém morrerá por isso? Alguém sentirá o que sinto ao escrever tais linhas? Alguém saberá minhas profundas inspirações? Aqueles aos quais me dirijo, nos quais eu penso enquanto movo meus dedos pelo teclado, saberão que me refiro a eles?
Não. E isso não tem nenhum sentido. Não há tema. Não há o que se tema, além de suas próprias aspirações.
Voyer das letras, o invoco!
Aquele que tudo sabe, que me perpassa, a mim e aos que me acompanham persistentemente até aqui, como numa busca frenética de alguma coisa que lhes garanta a satisfação da leitura, que feche com louvor esta loucura, que tire seu olhinho da fechadura e escancare minhas entranhas!
Mas não há o que encontrar. Nada.
Escrito por Rafael Morena às 21h37
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