Mediterrâneo
Nunca o conheci e ele está presente, dá fogo e luz, cores e movimento a minha vida.
Pressinto a pele chamuscada, mantenho distância.
O redor sente, me chama de covarde. Sobrevida: é isso que peço.
Hermético; claustro e fobia de um jovem senil.
Ermo e tácito, lugar e forma, nada se depreende.
A cera derrete e se conforma ao espaço, modelagem.
Resta um pouco de vela, que não demora e se rende – já rendeu muito.
Moda contemporânea que a superfície revela.
Pois não há nada além.
Os superlativos esvaziam-se.
O sentido nada contra a maré.
O tempo pára.
E morro sem encontrá-lo.
Escrito por Rafael Morena às 21h11
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