Silêncio
Onde está Zaratustra? Em seu quarto na hospedaria? Voltou para o chalé na montanha? Desintegrou-se no ar?
Durante a “Festa de Reis”, enquanto todos se divertiam na praça central, estaria Zaratustra espreitando? E seu olhar, sempre inquisidor, por acaso seria capaz de incomodar a alguém, mesmo sem estar presente?
Em lugar algum e no universo. Talvez seus fragmentos pairem no ar e sejam inalados pela gente. Afinal, além da bonequinha chinesa que enfeitava sua mesa de cabeceira, o acompanharam naqueles longos anos de solidão as pessoas alegres e trabalhadoras, os pais, os avós e os filhos. Ele sabia disso. Será que a recíproca não é verdadeira? Não haveria uma corda áspera que o prenderia pelo pescoço à realidade citadina? Não seria ele um colateral?
Peço desculpas pelo obscurantismo, caros leitores imaginários, mas não faço questão nenhuma de me fazer entender. Pois a que menos dizem respeito estas parcas linhas é de entendimento. O desaparecimento de Zaratustra não requer compreensão, racionalidade. Tudo que foi escrito diz respeito a todos. E como tudo que é posto no papel, demanda silêncio.
Escrito por Rafael Morena às 20h36
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