Desligando os pensamentos, por enquanto.
"O intelecto, como um meio para a conservação do indivíduo, desenvolve suas forças principais na dissimulação; pois esta é o meio através do qual se conservam os indivíduos fracos, menos robustos, aos quais foi negado travar uma luta pela existência com os cornos ou a mordida afiada de uma fera. No ser humano essa arte da dissimulação atinge o seu auge: aqui o engano, a lisonja, mentiras e ilusões, o falar-por-trás, o representar,o viver do brilho alheio, o estar mascarado, a convenção velada, o jogo de cena diante dos outros e de si mesmo, em suma: o constante esvoaçar em torno de uma chama de vaidade são tanto a regra e a lei segundo as quais quase nada é mais incompreensível do que o surgimento entre os homens de um impulso honesto e puro para a verdade". - Nietzsche, F.
Até a volta, criançada! Titio Rafael vai viajar!
Mas titio, e o blog? Vai ficar quanto tempo parado?
Titio não sabe.
Titio vai nos abandonar...
Não, isso eu garanto. Um dia titio voltará. Tchau!
Escrito por Rafael Morena às 08h47
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O Homem Urso
Era o típico jovem americano, belo e saudável. Teve educação de qualidade, ganhou uma bolsa para a universidade, competindo em campeonatos de natação e saltos ornamentais. Na convivência no campus, começou a usar drogas. Lesionou-se seriamente num treinamento e abandonou os estudos. Tentou tornar-se ator de cinema. Trabalhou em algumas lojas, juntou dinheiro e foi para o... Alaska.
Resolveu passar dois meses por ano numa reserva florestal, ao lado dos ursos-pardos. Queria tornar-se um urso, integrar-se plenamente com eles. Durante os treze anos em que fez essas viagens, conheceu todos os animais que ali viviam, amando-os e cuidando deles. Acreditava que os estava protegendo dos caçadores. Morreu devorado por um dos ursos, no dia de ir embora de sua última expedição.
Parece uma história heróica de um grande homem. Porém, Tim Treadwell, o “homem urso”, nos diz algo sobre a natureza humana. Apenas um ser incompleto e bizarro como o homem seria capaz de cruzar a fronteira entre o seu mundo e o mundo selvagem dos animais. Suas boas intenções eram justificativas para sua fuga das exigências da vida. Aquela terra inóspita era o quadro perfeito onde o neurótico Tim não fazia mancha. Um cenário criado por sua mente, cheio de amor e carinho materno. Lugar em que ursos assassinos tinham olhares bondosos.
Tim foi morto porque insistiu na crença de que não era mancha naquele quadro. Algo da ordem do real mostrou-se no trágico momento de seu falecimento. Algo que estava escondido de sua visão: os olhares dos ursos não tinham nada de piedosos, eles apenas demonstravam uma certa indiferença com relação ao possível alimento. No último instante de sua vida, Timothy Treadwell deve ter pensado que o urso que o atacou não gostava dele. O animal, por sua parte, não pensou em nada. Apenas comeu o homem, na falta de salmões para pescar...
Escrito por Rafael Morena às 19h27
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