Fim
Não tenho certeza se este é o adeus definitivo (já foram tantos), mas é fato que preciso me distanciar disso aqui. O blog foi, nestes dois anos e, principalmente, no último ano, uma ferramenta de expressão absolutamente íntima e pessoal. Foi também, em muitos casos, a única forma de algumas pessoas me conhecerem minimamente.
Agradeço a todos que comentaram aqui, especialmente aos mais antigos (ou seja, os mais pacientes e insistentes): Bárbara/Sulamita, Carol e Gustavo.
Muitos tiveram participações meteóricas, de acordo com seus interesses momentâneos, e a esses eu não tenho a obrigação de agradecer.
Aqui vão os abraços e beijos a todos os outros: Adele, Amanda, Ana Clara, Ana Gabriela, Celso, Fabrícia, Grouxo, Karen, Maurício, Nelson, Paulo Renato, Paula, Pilar, Roberta, Ronisson e Vinícius.
Agradecimento especial a Claudinha, que foi responsável pelo blog durante um tempo e fez um ótimo trabalho, provavelmente melhor que o meu. Se alguém se dispuser a atualizar a página em meu lugar, aceitarei prontamente.
Antes que me perguntem, não sei “a Razão” desta despedida. Talvez seja apenas um espasmo da velha impulsividade.
Deixo, por fim, texto de Nietzsche, meu grande mentor, já publicado anteriormente no blog:
"Quem adivinha, ao menos em parte as conseqüências de toda profunda suspeita, os calafrios e angústias do isolamento, a que toda incondicional diferença de olhar condena quem dela sofre, compreenderá também com que freqüência, para me recuperar de mim, como para esquecer-me temporariamente, procurei abrigo em algum lugar – em alguma adoração, alguma inimizade, leviandade, cientificidade ou estupidez; e também por que, onde não encontrei o que precisava, tive de obtê-lo à força do artifício, de falsificá-lo e criá-lo poeticamente para mim (- que outra coisa fizeram sempre os poetas? Para que serve toda a arte que há no mundo?). Mas o que sempre necessitei mais urgentemente, para minha cura e restauração própria, foi a crença de não ser de tal modo solitário, de não ver assim solitariamente – uma mágica intuição de semelhança e afinidade de olhar e desejo, um repousar na confiança da amizade, uma cegueira a dois sem interrogação nem suspeita, uma fruição de primeiros planos, de superfícies, do que é próximo e está perto, de tudo o que tem cor, pele e aparência".
Escrito por Rafael Morena às 07h22
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Carta aos Inconvenientes/ Expectativa pela Evolução Possível
Certas pessoas insistem em te importunar, abusando de sua paciência e educação. Talvez se trate de ingenuidade, de acreditar que o passado possa ser enterrado e esquecido - muita gente pensa assim nos dias de hoje. Não importa, é preciso que a razão se faça presente na cabecinha destes seres inconvenientes, fazendo-os notar que o que passou trouxe conseqüências PERMANENTES.
Estas crianças por opção, que vivem em suas Wonderlands, devem ter em mente que a preocupação em ser delicado e respeitoso tem um limite; há o ponto em que a rispidez é necessária, pois a paciência excessiva nos faz, às vezes, parecermos idiotas e passivos. E, com certeza, não gosto deste papel.
Espero que cheguemos ao dia em que não se fale em sentimentos, em que as ações se sobreponham à esterilidade da fala, em que o místico não seja necessário para a compreensão da vida, em que o equilíbrio dê lugar à realidade da desordem, em que não gritemos no escuro, em que não se reivindique liberdade, em que se esqueça a infantilidade de nossas vontades, em que o homem diferencie-se dos outros animais pela suas limitações e não por suas supostas virtudes, em que aceitemos e apreciemos as diferenças, em que procuremos no Outro aquilo que não somos, em que troquemos as obsessões pela inevitabilidade do devir, enfim, em que aprendamos a conviver com a pequenez de nós mesmos.
“O passado, muito mais do que estar presente, ainda não passou”. – James Joyce
Escrito por Rafael Morena às 22h16
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|