O Governo comemora e, com alarde, divulga em caras propagandas a chamada “auto-suficiência” em petróleo, graças ao lançamento da plataforma P-50 (que ainda está encalhada no Estaleiro Mauá, em Niterói). A Petrobrás tornou-se, através de publicidade, motivo de “orgulho” nacional. Vê-la alcançar seu objetivo maior, mesmo após cinqüenta anos, é notícia importante, principalmente em termos eleitorais.
Na Bolívia, com a eleição de um candidato populista ao cargo de presidente (coisa comum nos países sul-americanos), abre-se uma crise com relação ao abastecimento de gás natural para o Brasil, que não é auto-suficiente (aliás, é carente) na produção deste produto. Qual a razão do problema? A Petrobrás, empresa criada para salvaguardar os recursos energéticos nacionais dos ataques de “abutres imperialistas”, rouba recursos do país vizinho. O Brasil possui uma usina de gás natural em território boliviano. Não é fantástico?
Nossos políticos escandalizam-se ao ser proferida a palavra “privatização” junto com “Petrobrás”. São terminantemente contrários à venda de um patrimônio público. Pois bem, o novo governo boliviano, afinado com este tipo de filosofia, sinaliza com a estatização da usina brasileira instalada em seu país. Nada mais justo. Porém, deputados e senadores de Brasília já subiram às tribunas para discursar contra esta “violência” dos vizinhos. Chegaram a dizer que este caso deve ir à OMC, para ser decidido em tribunal internacional.
Também foi noticiado, nos últimos dias, que o Brasil comprou ações da Shell em vários países, através da Petrobrás. Ou seja, piratearemos petróleo de outras nações, fato estranho para uma nação auto-suficiente na produção deste produto. São muitas contradições em torno de um único tema.
A política brasileira é feita de controvérsias e demagogia. A vergonha maior é saber que a opinião pública, na maioria das vezes desinformada ou mal-intencionada, concorda com isso. Deve ser culpa do George W. Bush...