Henry Miller

Biografia
Henry Miller nasceu em 26 de dezembro de 1891, no Brooklyn, filho de um alfaiate de origem alemã. Ao deixar a escola, Miller embarca numa série de empregos e relacionamentos sexuais, que fornecem rica matéria-prima para suas novelas. Participa ativamente da comunidade literária e vanguardista do Greenwich Village e de Paris dos anos 20 e 30. Mas é somente aos 69 anos que sua primeira grande obra-prima, Trópico de Câncer, é publicada legalmente nos Estados Unidos, quase trinta anos depois de ter sido escrita. Sua vida é marcada pela polêmica e sua personalidade controversa ganha epítetos contraditórios que vão desde "Profeta da Sensualidade", "Gênio" e "Lírico", até "Pornógrafo", "Maldito" e "Egoísta". Antes mesmo de ser publicado nos Estados Unidos, já é reconhecido como autor de raro talento e originalidade entre os escritores americanos, os quais lêem suas obras em edições francesas contrabandeadas para a Grã-Bretanha e para a América. Aclamado como uma figura fundamental na luta pela liberdade literária e individual, Henry Miller teve sua literatura marcada pela defesa de posturas contrárias aos padrões sociais. Era um escritor de gênio, cuja determinação em dizer a verdade com honestidade e coragem o condenou a trinta anos de censura oficial no próprio país e o fez ganhar o respeito de George Orwell, T.S. Eliot, Lawrence Durrell. Henry Miller morreu em 1980.
"Estes romances cederão lugar, pouco a pouco, a diários ou autobiografias -livros cativantes, desde que um homem saiba escolher, entre o que chama sua experiência e saiba registrar verdadeiramente a verdade". - Epígrafe do romance "Trópico de Câncer" de Henry Miller. Frase de Ralph Waldo Emerson.
Trópico de Câncer, aliás, talvez seja meu livro preferido. O coloco junto ao espetacular "Crime e Castigo", de Dostoiévski e "A Peste", de Camus. O bom dessa obra de Henry Miller, é que o leitor não precisa lê-lo na ordem correta. Os capítulos têm apenas uma leve continuidade. E um deles, em especial, é o ponto máximo da literatura do séc. XX. Começa assim:
"Paris é como uma puta. A distância parece arrebatadora e você mal pode esperar até tê-la nos braços. E cinco minutos depois você está vazio, desgostoso consigo mesmo. Sente-se logrado".
As dez páginas seguintes constituem uma jóia, o mais alto grau de perfeição no que se chama de "realismo psicológico". As frases que constituem este capítulo, não só se destacam na obra como um todo, mas em tudo que se produziu pelos autores da época ( décadas de 20 e 30). Recomendo.
Qual a razão desse tributo? Não pude escrever nada de novo para o blog, estou ocupado com o mundo lacaniano. Em conversa com minha irmã, Clarice, acabei sabendo de D.H. Lawrence, autor do poema que publiquei anteriormente, e de sua influência não só em Miller, mas em Anaïs Nin, outra grande escritora da época.
Escrito por Rafael Morena às 10h04
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