Eu sou?
Alguns - aqueles que me conhecem - dizem que eu sou generoso, confiável, sensível e carinhoso.
Outros - aqueles que me conhecem – dizem que, na verdade, eu sou orgulhoso, desconfiado, indiferente e frio.
Talvez eu seja tudo isso e mais um pouco.
Talvez eu não seja nada disso, mas outras coisas.
Talvez eu tenha muitas qualidades e um único defeito.
Talvez eu tenha muitos defeitos e apenas uma qualidade.
Talvez eu, simplesmente, não seja.
De um emaranhado de palavras desconexas nasce um discurso unificado. Esta impressão de completude gera a consciência. Dela, partimos para o externo e interno, para as verdades e falsidades absolutas.
Falar em uma personalidade, baseando-se nas opiniões alheias com relação a si mesmo, é algo contraditório. Pois não há uma personalidade, nem muitas. Pois não há uma simples opinião alheia que represente a pluralidade de idéias que podemos suscitar nos outros. Pois não existe um “si mesmo”. As pareidolias não constituem exceção; elas são a regra. Quando falamos, há uma multiplicidade que se atualiza em nossos dizeres.
O que é palpável nessa história toda? O que é verdadeiro? Em uma palavra: a relatividade.
“Nunca mais direi sou isto, sou aquilo”. – Virgínia Woolf
Escrito por Rafael Morena às 20h09
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