Memórias do Teatro
Há alguns dias atrás, acordei feliz e confiante na perspectiva de um bom dia. Fazia anos que eu não me sentia assim. Desconheço a razão, ou melhor, sei de algumas, porém não posso alegar que conheça todas. Portanto, pretendo não enumerá-las.
Desde então, lembranças agradáveis passaram a vir à mente com certa constância. Ontem, em conversa com minha mais nova amiguinha – Roberta - e com minha antiga musa - Márcia Moraes - lembrei de uma passagem dos tempos de teatro, pois esse era o tema do bate-papo. Voltei para casa, na lerda barca, recordando...
Não que eu fosse um grande ator, porém era competente. E devo àqueles poucos anos meu gosto pela escrita. Tenho guardadas todas as esquetes cômicas que produzi, todos aqueles personagens pelos quais guardo simpatia até hoje.
Pois bem, vamos ao mico: Aos treze anos, gostava de escrever roteiros teatrais, alguns dos quais eram aproveitados por meu grupo. Certo dia, tentava dar prosseguimento a um de meus escritos, porém não conseguia ter uma nova idéia. Puto da vida, comecei a bolar uma cena erótica pra marquês de Sade nenhum botar defeito. Tipo, Fulano comeu Beltrana, que gostava de dar por trás, blá, blá, blá... (que mente doentia!). Depois de ficar de saco cheio, deixei o caderno de lado, na sala, e fui para o meu quarto. Minha mãe recebeu amigas em casa e vendo minhas anotações em cima da mesa, começou a lê-las em voz alta, toda orgulhosa. Ouvindo aquilo, corri até onde elas estavam. Chegando à porta, me deparei com todos os olhares chocados. Minha mãe, então, me perguntou seriamente: “Rafael, será que o grupo vai aceitar encenar isso aqui? Estou achando moderno demais...”
Escrito por Rafael Morena às 11h42
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|